<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217</id><updated>2011-11-21T08:23:36.971-08:00</updated><title type='text'>Clube da Literatura</title><subtitle type='html'>" Nada sei sobre a vidinha do pernilongo / que mato indiferente na parede./Mas desconfio que era a única que ele tinha."(TAVARES, Ulisses. Último acorde do violino solitário)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-1986643869201652615</id><published>2011-11-21T08:23:00.003-08:00</published><updated>2011-11-21T08:23:36.985-08:00</updated><title type='text'>O sono de dentro para fora Ou O adormecimento inglório</title><content type='html'>Mas ao passo que a pélvis e o colo e o dorso se confraternizavam, Cinderela-pequena ia à festa sem ser convidada. Um doce coração se alvoroçava para fora do ovo de dentro das calmas. Eu vi um órgão central pulsante, porém incabível. Eu vi um órgão inicial saindo do meu corpo harmônico deitado. Eu vi dois olhos amontoados franzindo a minha áurea já franzida. É uma pena que o mais forte de dentro de mim, habitara foragido. Meus ritos arroxeados necessitando de remédios. Um sopro inaugural e invicto e majestoso. A dor intempestiva de um amor negado. É precípua uma causa propulsora que me vomite. Foi tudo um vômito jorrado. Foi tudo fruto de um desejo esticado de que o enjoo passasse manso, manso. Interrompa-me o antes possível de que palavras de amor acontecendo sejam flechadas. Pare-me antes que eu procrie uma série de cupidos vingativos. Fala-se de uma sensação confeccionada em auto-prova-contra-mim. Um príncipe autóctone vive. Bem aqui onde o sol bate e faz a curva de um sonho. Bem aqui. Um seio que relincha: coma-me, antes que acabe. À vida que inadapta-se do mesmo modo que dois pneumáticos se incongruem em favor de um mesmo auto: reto e torto, pois vez ou outra, as carcaças se tremelicam e o contato com a terra é vacilante, suspensivo. Freio de mão mole. Cavalinhos desorientados. Eu preciso de um galope verdejante e da lucidez de como os diálogos são circunscritos mundialmente. Trata-se de uma emoção hospedeira que tremula a respeito da maior solidão por metro quadrado sobre que se noticiou. Era preciso dormência, dormência, três pontos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-1986643869201652615?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/1986643869201652615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/11/o-sono-de-dentro-para-fora-ou-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1986643869201652615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1986643869201652615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/11/o-sono-de-dentro-para-fora-ou-o.html' title='O sono de dentro para fora Ou O adormecimento inglório'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-6448890053178682930</id><published>2011-08-29T16:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-29T16:54:52.402-07:00</updated><title type='text'>Sobre um acontecimento faiscante</title><content type='html'>A todos é chegado o dia de uma calar de bocas triunfante. O dia em que se lhes pergunta a respeito da entre - intermitência de um punhado de luzes piscantes. O que pode um atravessamento? O que pode embrenhar-se por entre as pregas dos lábios a serem pintados, em câmera lenta de sensações? O que cabe a uma existência executar, se não o desejo patológico de que as coisas lhe invadam em velocidade tão flamejante a ponto de todos os corações se aproximarem rapidamente do fim. A vida são os tremores que se ouvem bem de perto dos alimentos triturados; de dentro do carnaval que se opera lá dentro. Há uma cachoeira rara que nos afoga, depois de que se superdimensiona o pingo da saliva passando. De dentro para fora, respiração é ventania. No meio, é chegado o lugar desde o qual se participam do conjunto das frestas, desde o qual se convertem em ponto máximo da congruência de todas as mensagens transmitidas. Em estado de alta captação, há antenas espalhadas para a linguagem de todos os transtornados; há torres aconchegantes para todas as percepções equivocadas, para todos os dizeres e mandares esquizóides, para tudo o que ainda não se pronunciou, mas que se deitará levemente sobre o dorso de um fio chocante. Aos olhos desapegados, se desvelará um enorme fragmento manchado que às suas decisões comprometerá. Há uma hipnose generalizada, uma nuvem emudecedora que aos menos sinestésicos acompanha, e que às torres cobre. Será preciso que um dentifrício enorme seja depositado sobre os ceguetas de coração firme até que a mácula seja sanada de suas visões, para que o contato que não se apalpa entre as conexões se estabeleça e que toda a ordem entre o intuito do estalar de dedos e o estalo de dedos seja necessariamente estabelecida. Uma faísca acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-6448890053178682930?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/6448890053178682930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/08/sobre-um-acontecimento-faiscante.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6448890053178682930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6448890053178682930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/08/sobre-um-acontecimento-faiscante.html' title='Sobre um acontecimento faiscante'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-5852937198832307464</id><published>2011-03-04T12:30:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T12:31:23.161-08:00</updated><title type='text'>"O que é felicidade para você (...) ?"(In. Vanilla Sky)</title><content type='html'>Mas eu prometo que anteveria, se não houvesse me tornado cega, que a felicidade não mais passaria de um risco raso pronto para ser apagado. Um sopro débil de poucas bocas sopradas. Uma suscetibilidade só. Para que em um cabum inesperado tudo se desmoronasse em desistências e boicotes. Eu saberia do que estou falando agora, se isso não precisasse acontecer. É a convicção parruda que nos vence, que nos envaidece do contrário que já vitoriosos somos, é a convicção que nos come as plumas de pavão intempestivo. É o tiro curto laçado ao céu que nos derruba em queda livre rumo ao tempo das inabitações. Pois, na ausência de dedos viris, tudo se converte em pura felicidade de gatilhos indisparáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-5852937198832307464?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/5852937198832307464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/03/o-que-e-felicidade-para-voce-in-vanilla.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/5852937198832307464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/5852937198832307464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/03/o-que-e-felicidade-para-voce-in-vanilla.html' title='&quot;O que é felicidade para você (...) ?&quot;(In. Vanilla Sky)'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4481291917912408218</id><published>2011-02-24T11:29:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T11:30:34.730-08:00</updated><title type='text'>A ventoinha e a queimação</title><content type='html'>Sua, sua o peito do passarinho. E o céu da boca se enrubesce, pois é noite de não-sei-quem, com que nenhum sedativo forte pode. Lembra daquela primeira condição imagética de meus olhos? Lembra de minha situação de transtornado? É como se um mar furioso os encobrisse e o mundo se cortasse em dois; dos meus ouvidos para dentro, dos meus ouvidos para fora. O meu pião que roda. O meu controle. É como se uma ventania os afastasse deliciosamente para longe de meus domínios. E se meu coração não fosse real? E se eu soubesse que se trata apenas do eco do impacto acontecendo? Não quisesse se embrenhar nos afagos, não quisesse encismar-se, mas tudo já estava sendo tecido pelas adagas triunfantes. Deixa estar um par de vísceras quadri-brilhantes do centro de meu rosto, de onde gotejam pingos flamejantes de alguma rendição. Deixa que eu voe sob as costas da vassoura e promova a varredura de tudo. Deixa que as garrafas tragam líquidos virais e os aplique no fundo daquelas sandices. Lembra quando se sentavam amadeirados e se rompiam cupinosos?  É o castigo de acostumar-se a um leito só agarrado. É um pagamento de morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4481291917912408218?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4481291917912408218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/02/ventoinha-e-queimacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4481291917912408218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4481291917912408218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/02/ventoinha-e-queimacao.html' title='A ventoinha e a queimação'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-1699106076448504070</id><published>2011-01-04T19:55:00.000-08:00</published><updated>2011-01-05T07:33:51.943-08:00</updated><title type='text'>O word não pode salvar os olhos</title><content type='html'>Fosse uma piscadela. Mas eu pisquei. E no meio de um soslaio, meu engasgo sobrevive como se me engolisse em plenos pés de hipotensões. No meio do sopro, eu me agarrei. E na vaca voadora dos tornados, todas as sobrancelhas me olharam de sobressalto e arqueadas. Todos os flertes me traíram, me mentiram, e todos me estupraram em inverdades. E me disseram sobre histórias de que nunca me lembrarei e me transportaram para dentro dos umbigos. Convenceram-me de belezas e de carinhos. E eu perdi a dosagem dos colírios e dos receituários. Eu perdi o risco que relampeava, o resquício. Eu me contraí no intervalo da pulsação do meio. Minha missão é assim mesmo: um clichê passajoso. Eu sou isso; um bicho que pisca e perde a caça que se deixou piscar. E se lamenta de vicissitudes. E se esfaqueia na fumaça invernosa, como se pequenos estilhaços me perfurassem aos pingos. Eu fui vitimada pela falha. Pela ferida que se partiu no ponto fraco suturado. Bastasse um beijo breve dos cílios, e meu coração andara para fora do centro, e a tal ponto perdeu o sinal, se esvaiu. No olho do furacão da piscada, e tudo acabou depois do primeiro olho. Nada foi igual, eu vos odiei profundamente, eu vos devorei. Eu perdi o forte vínculo em outra íris. Uma sequela cega; um mar salgado em ardência. Eu não vejo mais aconchegos pepinosos. Eu não vejo mais sem lentes de contemplação. Miúdos, embaraçosos tufões se erguem. Não me deixasse piscar, e eu pisquei. Como que impreterivelmente se deseja fechar por duas pupilas a vida. E eu perdi o cometa que não passará diante dos olhos. E eu não o vejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-1699106076448504070?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/1699106076448504070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/01/os-olhos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1699106076448504070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1699106076448504070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2011/01/os-olhos.html' title='O word não pode salvar os olhos'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4120253952725655339</id><published>2010-12-29T12:34:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T12:35:34.986-08:00</updated><title type='text'>Sobre o que não se alcança</title><content type='html'>Nesta noite há uma volição escomunal de choro. Duas espadas cairão sobre o dorso do vitimado pelas palavras descuidadas dos outros. E o apocalipse de nossos sonhos se dará. Ao passo que minhas sinceridades serão tomadas por uma depilação serena. Não, não haverá de ser mais eu quem lhe sussurrará os segredos da verdade. Não serei mais eu quem discursará sobre o véu da propriedade usurpada. Pois, jamais se nega a consumação do amor consumado em desgraça. Jamais se desautoriza o lábio grudado em doença no outro lábio atualmente ojerizado. Há de ser infância mal resolvida a natureza dessas manifestações. E enquanto um sono profundo dos desprovidos de iniciação se dorme, as vísceras dos indignados soerguem por sobre os terremotos mais bem tremidos de minha narrativa. Desnecessários adornados grafos, tudo se desvelaria escorregante. Amaria tudo que não há e assim nunca se cessaria. A história sobre o sequestro de meu lado esquerdo, um derretimento; quer dizer que se voltasse uns vinte e cinco minutos depois de todo o sempre, eu ainda estaria em estado de insatisfação, e mesmo que os pirilampos caguetassem sua presença em brilho brilho, não seria noite em meu peito. Eu sou simpatizasse de uma escrita que não se ascenderá; eu sou o risco que passa enquanto os olhos piscam. Trata-se do padrão de sentimento flutuante que nos foi concedido, um zumbido no ouvido de abelha abelha picante. Estamos morrendo de emoções. Estamos emudecidos de orgasmos. Eu sou debaixo d’água de meus pesadelos tartarugosos, bem lá no meio de onde tudo acontece, sobre que tudo que atravessa se registra. Nesta noite há uma volição escomunal de choro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4120253952725655339?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4120253952725655339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/12/sobre-o-que-nao-se-alcanca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4120253952725655339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4120253952725655339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/12/sobre-o-que-nao-se-alcanca.html' title='Sobre o que não se alcança'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-7994673066790100418</id><published>2010-10-19T20:35:00.001-07:00</published><updated>2010-10-19T20:35:52.475-07:00</updated><title type='text'>O mais perto que cheguei.</title><content type='html'>Fala-se por aí que toda a lividez se deva ao tão somente torpor de que você não me ame com todo o carinho pressuposto nos redemoinhos de verão. Há para cada criatura pequena uma queimação que se lhe suplanta os olhos d’água de paixão, tratando de que o mundo não se acabe em sua ausência. Há para cada abismo prematuro um desábito intenso que os antecede. O que guardava serelepe de mim, memória se perde, eu não serei ninguém sem precipício, eu não me lembro para fins de soerguimento. Trata-se do tempo que se dilata, nos pondo os corpos a três quilômetros por hora separados um do outro. Eu passaria a saber se me recordasse. Eu percorreria a fórmula ao contrário distância se a mim coubesse, mas copiosamente penso que o mistério apenas se fortalecerá na alma que se espreguiça no chão das salas dos desocupados. Não há conforto para o sentimento rouco catarrento de dores. Apenas o estômago poderia me comer. Sofro de uma mastigação cada vez mais assertiva e suculenta. E a cada dia sou mais ferozmente engolida em meus pecados, em meus delírios físicos, corruptos. Eu esperarei a morte de mais uma convicção, por que lacuna estabelecida me incapacita para o destoado. É como se a insuficiência de minhas aquisições, as permitissem concretas. Diz-se que não se sabe razão, mas na trajetória rumo ao relógio, nunca se nos apresentará o bastante. E o próximo ano não seria o bastante, e a próxima soma menos bastante. Anda por aí língua que se acometeu por uma vontade tremenda de nada. É como um grilhão picante, que me inerte. Sou do tempo de melancolias em que as maçãs se contentavam com o pouco de serem maçãs e tudo tão translúcido não se despencava tanto de seus cachos. Um pavor que não se circunscreve. Eu não caibo mais entre as embarcações de calmarias. A tatuagem que se traz se caracterizará pela sua irreversibilidade. Anda por ai um conto de que meus olhos dormiam calmos. Mas meus olhos não têm mais sono, meus olhos sumiram. Fala-se de quando até as palavras menos problematizadas serviam, de quando as entrelinhas eram menos vigorosas e a beleza em que eu cria ter me satisfazia. Até onde irá o coração sob o signo sucumbido das inimizades que cravou e do próprio desaproveitamento do percurso de uma vida paranóica? Há um relato que discursa desde a incompletude que inopera o ar de meus pulmões e o meu estranhamento se espalha eternamente a viciar as minhas sensações mais finas. Não se livrarão as íris da fumaça que se descortinou nas percepções mais fundamentais de minhas relações. Fala-se então que a marcha ré não funciona nessa guerra. E tudo se comprometerá fatalmente na vida dos vacilantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-7994673066790100418?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/7994673066790100418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/o-mais-perto-que-cheguei.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/7994673066790100418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/7994673066790100418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/o-mais-perto-que-cheguei.html' title='O mais perto que cheguei.'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-3638406001078283696</id><published>2010-10-14T20:32:00.000-07:00</published><updated>2010-10-14T20:33:35.224-07:00</updated><title type='text'>Estudo sobre as mãos delicadas</title><content type='html'>Os tentáculos inexplícitos queimam as pontas fáceis de um temporal. E se estenderiam por entre as vísceras, mais ascendentes das almas, e se responsabilizariam pelo grau mais sublime de toda a incompreensão. A tudo perfuraria a hermética flor de lótus; por tudo percorreria a incapacidade de se fazer deixar estar em vínculos. Uma pequena mão, um animal de gestos delicados, ainda apesar de tudo. Uma chaleira gritosa em seu coração pudico. O acre entre as palmadas de sua literatura. A morte do parágrafo. A mão dada aos desapegos dos dedos falanges sinestésicos. Miúdas travessuras de amor constituem o coração dessa nova flor rodopiante. É patologia de uma literatura surgente. É pescoço de estendidas girafas crocantes. Era preciso fosse um engasgo que a tudo surrupiasse em desalento, em um supetão de cordas enforcadas para que a ordem dos suicídios se estabeleça. Salvo, antes ainda a sedução por um longo bocejo profundo. Por que seria arraigadamente subjugada pelas palavras que por dentro da esfinge pinicam, por dentro dos trópicos corrompem. As palavras que não serão ditas ao alcance das agulhas enformigadas. O novo mundo no sulco das feridas sulfurosas. Abriria poucadamente despetalando cada brotoeja de mágoa ressarcida, cada pó de memória embrenhada. Os gestos sucumbiriam à luz das glotes esfomeadas, eles cairiam no gozo das palavras que não se bicam no nado de insignificação de pensamentos. Os dedos segurariam as cabeças pândegas pendentes de comicidades, de despautérios. Conduzem-se as rédeas com riscos de vontade inacabada de genital, guia que volanteia em pavorosa. Segue, tornando dificultosos os antes despolemizados; encadeados os desassociados.   Pequena relva dentro da revelia, mas é daí que o derradeiro brota orquideazinha. Andam botânicos os dedos de trepadeiras, mas é assim que se inicia o traço do ponto geométrico em cruz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-3638406001078283696?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/3638406001078283696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/estudo-sobre-as-maos-delicadas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3638406001078283696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3638406001078283696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/estudo-sobre-as-maos-delicadas.html' title='Estudo sobre as mãos delicadas'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4403121977790817734</id><published>2010-10-01T15:23:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T15:25:35.236-07:00</updated><title type='text'>Superbonder ou Uma História de Amor</title><content type='html'>Na aresta sobressalente de realidade, eu senti em ressuscitação que o seu coração batia encima do meu. Acordei em câimbras como a quem se acoplou vínculo forte de paixãolitude. O que farei de quem saltou em mim o pulso agradecido? E mesmo que eu, por vezes, intente o perdão pelas maleabilidades d’alma de ferida antiga, penso em aspiração pulmonar, entretanto, que há laços que des-desmaiam nessa asca vida e que fazem da mandíbula profunda uma sobrevida finalmente desafogada, e a tudo essa menção se justificará. Será meu apenas elo de verdade. Será meu amparo mais imediato. Meu nome mais bem gravado por entre as pálpebras de rememoração de vez em hora torpe. Será o bem destilado no céu de astros congestionados e a mim guardado feito um filhote de galinha pequeno viril e de vulneráveis piados descompassados. Há tanta intensidade em tão insuficientes pragas que minhas sinapses estouraram-se. Será quem as acarinha, menos o pânico. Será um porto de confortabilidade. E enquanto ainda me sei acessível em expressão, penetrar-me; será tudo em profundo mais cravado. Amor consagrado em adesivo universal eterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4403121977790817734?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4403121977790817734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/superbonder-ou-uma-historia-de-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4403121977790817734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4403121977790817734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/superbonder-ou-uma-historia-de-amor.html' title='Superbonder ou Uma História de Amor'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-1526427136031881406</id><published>2010-10-01T15:19:00.001-07:00</published><updated>2010-10-01T15:19:53.739-07:00</updated><title type='text'>Antevisão</title><content type='html'>De iogurte a leite de cabra pura, a vaca procura os olhos tristes de meu vendaval; mas estou no miolo gostoso do furacão penetra e não há trampolins de algodão que amorteçam a minha procura. Os sacolejos são pedras de gelo que degolam a sobriedade reserva. É como se incessasse de mim até que suas mãos vacilassem em minhas paranóias pelas costas mensagens faladas de pouco bom grado. Eu desespero da última carne de quem esperava fica a sobre-sensação de que me mude, de que me corrija, de que me outra queira. Um desconforto que compromete a vida da associação de dois. Eu quero um tutorial de como passar-se por despercebido no vale das mágoas. Eu quero um sopro gratificante. Eu quero um punhal efetivo e um uivo que me levante. Eu sou uma árvore que deixa para trás a estrada. Trinta segundos acontecem a todo mundo de remota relevância. Não se explica em pratos limpos o que se passa aqui dentro. Cada um carrega a inteligibilidade merecida, e mesmo que alguns se corrompam em desequilíbrio no prematuro fio ejaculado entre o que não se conhece, ela se legitimará em outro mundo em que os maltratados de coração terão vez. Eu dançaria como se fosse a última hora por cima do corpo enciumado e rodopiante de meus lamentos fólicos, entrecortados, rasurados desde o lado interno da razão controversa. Sinto que principia a descobrir as falibilidades da doença espalhada, do rastro de lesma radioativa a que arrasto. O início da despedida brilhante em mutação. Seguem anexas minhas rugas de preocupação desengonçadas. E se pelo menos uma vez eu me destoasse, certo de que seria para sempre alegria de sonhos ultrapassados. Eu pensei que era um copo, mas era apenas caixote. Seremos divorciados. Seremos doces encabulados. Seremos cicatrizes um do outro. Seremos plásticos equivocados de boca de eloquência. Haveríamos em furacão pendente entre os dentes mastigantes, e só saberemos nós separadamente no terremoto de nossas triturações a dor que carregamos depois de um arroto folclórico. Era uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-1526427136031881406?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/1526427136031881406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/antevisao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1526427136031881406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/1526427136031881406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/antevisao.html' title='Antevisão'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4138148210371370911</id><published>2010-10-01T15:16:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T15:19:26.085-07:00</updated><title type='text'>Eu pensei que fosse Deus, mas era gonorréia</title><content type='html'>Meus pés eram amêndoas comportadas de emoções, eram cachos sobressaltados, arraigados, descontrolados nos pomares-feridas fincados no destino cabal dos desatentos. Golfadas de bocas fraturadas na janela de meu céu de boca. E se eu mastigasse a abelha, em vez do mel? Eu desafogaria os corações descompostos. Eu os salvaria copiosamente. E quando mais precisassem que minhas línguas os lambessem, eu os confortaria. Eu seria Jesus dos paranóides. Eu não me entorpeceria em qualquer ato de falibilidade. Eu serviria. Eu vi a porta sendo estuprada. Eu vi sua virgindade fortemente fragmentada enquanto eu me despia dormente. Acorde, pois há raras tormentas. As extremidades de um corpo são suas únicas aranhas de aforismos. Eu estou em queda entre as reticências. Eu sou um rizoma. Um enxerto no regador de urina. E se eu plantasse os meus pés, no lugar das rosas? Um jardim se soergueria flutuante. Nunca d’antes visto. Eu seria inédito. Incólume de apreciações. Eu seria branco estimulante entre os três pontos. Há o caos de uma dívida absoluta e de toda a humanidade dentro de minhas veias construída: um paradízimo. Reclamava do jogo de pentelhos tortos, pitorescos, mas se esquecia de que toda a marca da placenta fedida seria soberana em seu aspecto extremamente disforme e que se moldaria a todas as convicções, preconceitos e tiques-nervosos tão apregoados no lado de dentro que nem sei. Para tudo, uma receita amálgama; para tudo uma gentileza pesarosa. Não, eu nunca te abandonarei de minha doença longa. Da beira da borda da janela louca, tudo se lança à possibilidade de existência. Desejo de que aqui jaz tomada de propulsões de pulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4138148210371370911?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4138148210371370911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/eu-pensei-que-fosse-deus-mas-era.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4138148210371370911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4138148210371370911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/10/eu-pensei-que-fosse-deus-mas-era.html' title='Eu pensei que fosse Deus, mas era gonorréia'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-6358454282163989286</id><published>2010-08-13T10:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T10:24:12.600-07:00</updated><title type='text'>Balão delicado ou Os apocalipses de Mariana</title><content type='html'>Maravilha a espessura do brilho. Batidos os corações dentro do copo do triturador da copa. E tudo floresce na perseguição dos infames foragidos. Um zumbido na penugem forte dos sexos vadios. O ouvido cai dentro do ralo do chuveiro lapidado à lâmina cega. Minhas mãos percorrem. Enquanto dormirá, haverá sempre quem jorre de um jato de gozo que acarinhe as suas madeixas sonolentas. 

Eu não serei uma casca de ferida do amor descartado, pois eu quero engendrar-me pelos mantras de sua derme. Eu quero mastigar o açúcar fino de seu coração. Um pingo me deixou os cascos das unhas frouxas eterno. Eu sou uma potranca meia boca de dentes podres. E de que valerá? Um terremoto pequenino e minhas fadinhas deitadas no fundo do brejo residuoso. Imaculados, os alados não voarão e a garrafa só estará meio evaporada de labaredas soturnas. Eu temerei pelo pranto vindouro de meus binóculos. 

As ventanias expulsam o câncer inadequado de dentro das papoulas de rimas sinuosas. Uma culpa tremenda invadirá a imensidão dos telefones, os comerá. Eu perdi a poção das heresias paralelas de meu corpo volante. Essa é a fórmula das incompletudes via sacra. As veias estouradas: balão delicado. Será acometida de uma grande missão paranóica e tudo em sua flâmula trepidará. E tudo do lado esquerdo da face adormecerá venéreo. O pó das borboletas secas sucumbirá ao meu chamado lascivo para de dentro da alma borboletearem. As sedas dos bichos-da-seda os entorpecerão nas teias cavas da pele de veludo construída. Eu amaria se não fosse de ácido fólico todo o sangue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-6358454282163989286?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/6358454282163989286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/08/balao-delicado-ou-os-apocalipses-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6358454282163989286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6358454282163989286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/08/balao-delicado-ou-os-apocalipses-de.html' title='Balão delicado ou Os apocalipses de Mariana'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4372967954975238770</id><published>2010-07-13T20:38:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T20:39:39.921-07:00</updated><title type='text'>Regurgitações</title><content type='html'>Piam corujas débiles. Piam para de dentro da alma cativante da noite que não é dia. A noite de toda a inspiração da coruja. A noite de pesadelos superdimensionados. Onde não há vez claridão, os postes são maiores do que deveriam convencionados. E eu tenho pavorosos sucos gástricos latejantes, picantes. Eles se mexem durante a noite de minha inexperiência entojada. Debaixo das pegadas, coloridos sapatos frufru. E o nome do cachorro macho é Frufru. É a lama venturosa que nos arrasta, por que todos seremos massacrados. São os afetos que nos comprometem como feito uma atmosfera penetrante de luxúrias a nos corromperem a santidade nunca antes pronunciada. Amam-se os modos pelos quais somos afetados, como se amam as prostituições a que não negamos subjugados. Não depois de tudo o que foi consolidado, em vez de não para que nada se soerguesse assim tão sereno e impiedoso. São laranjas esbranquiçadas que nos matam cabeçadas. Somos incapazes de detê-las, as devoramos e um botulismo filosófico nos paralisa os nervos suculentos. Estou aprisionada no corpo e em suas instituições. Tantos púbis declaradamente magérrimos e eu aqui não me emendo chupando manga. Corroboro de um fio por que mereceria ser eletrocutada. É por cada palavra que não se regride. É por cada soslaio de meu coração-tique-nervoso. Não há amor para um filho, não há amor para mim em mim. Creiam-se os secos na secura. Tudo se acabará na esmagadura final de uma infidelidade tão explicável que se legitimará no surto. Pois, há um surto, e ainda que sob envergadura de sintaxe ordenada, há um surto. E um vômito chorado se expele entre nossas promoções. É o destino cabal dos paranóides.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4372967954975238770?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4372967954975238770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/07/regurgitacoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4372967954975238770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4372967954975238770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/07/regurgitacoes.html' title='Regurgitações'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-8834142226824511232</id><published>2010-07-13T06:46:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T06:49:10.999-07:00</updated><title type='text'>Aos oníricos ou Sintam a vibração da âncora profunda</title><content type='html'>Lentes do sonho para sonhar. Banho Flor morna Maria sem graça estrangulada mansa. Onde virulentos caberão? Intruja lento e sem dor a vacina. Sou dos de coração acuado. Há um alargamento decaído dos suspiros marca-texto. Eu engulo cada véspera sem passado. Um bicho comido guardado em cada gato pequeno sobressalente. E os que viverão sem viver? A palavra nunca será retomada. Trata-se de um estabelecimento de franquezas doentias. O mundo parará avermelhado entre. Afina a emoção. Desequaliza a pulsação. Sua a sua clarividência. Há uma neblina chorosa quando não neblina forte. O amor vai alto. O amor é um assassinato sóbrio. Assim que beberam de seus líquidos lúgubres incandescentes, o pecado se instaurou no seio humanitário. E sou eu que comerei dessa pendência até que se me desavergonhe dos desnudos pelos de toda a carne chula. Acarinha-os dormentes, pois não há saída para o animal ansiolitizado pelas garras do padrão. O veneno se acerca deturpado. Como arcar de tanto desajeito? Crê – se na existência de um boicote internacional fora de mim. As vibrações são vozes d’ de dentro das cabeças guilhotinadas, e um grande maremoto de cóleras se instaura e se me desvitaliza em úlcera. Eu caí no centro de minha rasura vinagrosa. E o que se passa no meio? De um a outro, o que se passa por enquanto? A mácula é original e as evocações são megalomaníacas. Acalma-me a golpes de paulada certeira. Eu preciso que o cardíaco pare-não-pare. Pois, acoplada na âncora profunda de famigerada condição; habituada a alcunha dos largados, sabe-se que os pés descalços virão sem precedentes sobre a madeira incendiária das convicções mais bem alicerçadas sobre que noticiaram. E tudo acabará habituado a se acabar. A ponta de meus dedos são tentáculos de misericórdia, é a ponta da corda do núcleo da miséria, estou por um fio de minha miséria. E ainda querem me esquartejar por detrás do balcão escondidos piro maníacos. Não se resiste mais, pois, há pouca temperança para tanta perseguição. Uma foto descrita de cada rosto que me segue entre os becos de meu pesadelo. Entre as fatias de meu tremelique, eu sorvo, entretanto. Mas ‘o que significa estar preso no sonho de uma menina?’&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-8834142226824511232?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/8834142226824511232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/07/aos-oniricos-ou-sintam-vibracao-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/8834142226824511232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/8834142226824511232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/07/aos-oniricos-ou-sintam-vibracao-da.html' title='Aos oníricos ou Sintam a vibração da âncora profunda'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4023887090965473342</id><published>2010-06-18T13:35:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:48:28.457-07:00</updated><title type='text'>Margaridas Infratoras</title><content type='html'>Queridas pulsações embrulhadas: venho, por meio desta, pedir que o pato espere por mais cinco minutos antes que eu nasça e que passe o tempo a encarniçar o seu topete fino até lá. Beijos quase retos presos tortos entoam sibilos. A história de minha chaga lateja aberta uma força, os parafusos comedores entram sanguíneos e esfoliantes do mal. Para minhas cores, arco-íris se acinzenta sereno. É uma cicatriz muito fina pele, mas há ferida, suplantada em corte calado; gritou um dia fundo. Doía, um pus mirabolante, eu me lembro que doía, em algum lugar na intensidade da marca doía. Água fria no coração inflamado o guardou em sopro soprado na ponta aguça do nariz. O osso de meu parto somente trinca uma de suas vértebras na perna direita da letra segunda do balão: estoura assônico. Há um gambá explodido ecoando. Você já sentiu um gambá? Hoje creio que o machucado foi seriamente comprometido pelo meu estado autóctone de desempolgação. Alguma sinapse medonha não se estabeleceu, as mãos não se deram. E aquele pedacinho consagrado é a vida toda porcaria. Um furo estuprado pelos dedos de lava radioativa. Cutuca por dentre os revólveres do voo rasante do tropeço da marca côncava. Mas de onde o pulmão respira tanto! Não chupe a casca da ferida de minhas unhas, elas estão molhadas e se derreterão na ferocidade de sua sucção. Aqui não se permitem as veias correndo. Eu caio do segundo parágrafo, ou do segundo andar? Eu deveria ser eliminado dessa literatura. Um balbuciar não conta na dobra da quebra de meu fracasso. Intimamente, há um destoamento se operando secreto, o aquário se rompe: surda borbulha. Sente? Desejo que volte ao estado primário das relações e tudo se compadeça perante as minhas frivolidades iniciais. E o que dizer dos filhotes frutíferos? E da correnteza sem água e entulho? E essa jaula que me atinge forte feito uma ereção. Um grito. É uma escreveção só do coração sem porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4023887090965473342?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4023887090965473342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/margaridas-infratoras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4023887090965473342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4023887090965473342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/margaridas-infratoras.html' title='Margaridas Infratoras'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-8635794275011618202</id><published>2010-06-17T16:24:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:49:06.958-07:00</updated><title type='text'>Consagrações</title><content type='html'>Comeram o pão dormido de meu coração e ele acordou amante. Entre – dentes o possuíram, sexo. Deus, as borboletas abriram as asas dos olhos para o sol e suas tagarelices se converteram em estátua de sal. Há um prazo estipulado para que nos abatamos de nossas farsas passadas, mas são só pirilampos-palavras laminares. São só palavras de peçonhas dilaceradas. Eu vi um escorpião saindo por de dentro de seu chapéu, medusas vermelhas de minha saudade, presença. Você se ia igual à morte das tesouradas entrando e saindo de meu vacilo. Em verdade, em verdade temia que as jabuticabas se pousassem de novo e de novo desejassem o fruto feroz. O medo era de que o gozo viesse do mesmo forno torpe. O álcool no canto do fundo da boca marcava a incisão de meus aconchegos. Eu voaria, mesmo sem asas, desalado patrimônio. As mãos chochas tombaram e suaram marejadas. Voltemos então, ao ponto das desconfianças iniciais para que a profecia se alicerce. Não é de bom grado desentranhar a existência de toda a força na doença. Eu não compreendo mais nem um pingo de seu amor deflagrado: horizonte. Lá isso um dia fora legítimo, mas penso que nasci depois minha paixão. Tratava-se tão somente de um poço fundo do medo, do modo como medo viria impávido. Alfinetadas finas fagulhas ressoando ainda. Há um cágado profundo vagaroso de minhas rememorações indignas. É como se tudo se estivesse a começar no ritmo nebuloso daquela tartaruga. Eu acordaria, se estivesse adormecida: é toda uma instituição, é força forte. Para com eles não posso, carnevolência. Hipnóticas chapas de esperança, pois ao mesmo em tempo que alimentam espectros passantes do corpo, os repelem risosos. São só literaturas agulhas: eu resistiria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-8635794275011618202?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/8635794275011618202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/consagracoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/8635794275011618202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/8635794275011618202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/consagracoes.html' title='Consagrações'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-3527200898913429634</id><published>2010-06-07T18:58:00.001-07:00</published><updated>2010-06-18T13:49:58.404-07:00</updated><title type='text'>À cavalo calado; não se dá 'bom dia'</title><content type='html'>Trata-se da providência adquirida desde que os cavalos passaram a ser atordoados com meus fervorosos "bons-dias". Era o des-lugar da temperança de minha incumbência de pequenina vida, era a vez da ordem do intervalo entre os corações batidos. E tão vibrantes quanto a psicodelia de meus equinos faladores, calei-me até de toda a necessidade do meu emudecimento. A literatura, pois, atuará feito pretenso registro de minhas clarividências fracassadas, e de meus lampejos que vezes se me retornam em patologia. A literatura do afeto seleto; a omissão. 

Trata-se, assim, do relato das des-negligências do uso das salivas, passo à ordem dos desinteressados e dos desinteressantes; da ideologia dos que não mais dirão. Como não quem, em desastre, sabe a que destinar as armas da retórica que carrega em punho; por ora, eu sei. É a ficcionalização de um pequeno silêncio voluntário no meu mundo possível, a revelia das feridas que ocasiono: emudeço. Por que calados, minguaremos nossa oportunidade de nos fazermos descreditados, de mal interpretados, de nos mais muitos e, no fim, deficientes comunicadores. A língua ativa e a inclusão de desafeto para o que é condenado às irreversíveis crudezas das leituras das entrelinhas. E como, em conspiração, convertemo-nos, cremos, de periféricas porcarias em porcarias centralizadas, e nos comprometemos em nossa incapacidade de sermos simples. 

Calemo-nos, até que os assassinatos mais profundos não cheguem às vias de falo em violência de carne pela palavra, e não por conta do que se ergueu moralmente entre nós, mas pelo o que é juridicamente trabalhoso aos psicopatas em meu crime de motivação torpe e com pequenos requintes de crueldades em minha prática.  Calemo-nos, pois, antes que os cavalos nos cumprimentem, e nós os respondamos serelepes, como em sinal de descabimento se nos instaurando profunda entre nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-3527200898913429634?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/3527200898913429634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/cavalo-calado-nao-se-da-bom-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3527200898913429634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3527200898913429634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/cavalo-calado-nao-se-da-bom-dia.html' title='À cavalo calado; não se dá &apos;bom dia&apos;'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-6999180663648584452</id><published>2010-06-07T18:33:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T18:34:31.818-07:00</updated><title type='text'>Ante tanto esperma: o que farei, carne?</title><content type='html'>Das desgraças que não faço pouco: a missão da infante carne é como um apego nos tremeliques da mágoa. Há um texto engasgado dentro de meu útero, há um aborto. Um choro intrínseco aguardando na boca do estômago de minhas recepções, e ao piado do miolo gatilho nascem virulências e o estouro. É tão incompetente o corpo. É como ficar-me inerte, ao passo que o mundo gira em torno do umbigo flutuante e decadente. Há mais posturas antes do rendido enfraquecimento. O estouro me possui como se possui um demônio encarnado ao seu mamilo mamante. Desde o nascimento do que pragueja, ainda que eu andasse pelo vale das sombras, não haveria abstenção mais irreversível do que a matéria pensante que se distancia. 

Padece o meu coração que será implodido pelos pedaços de cacos que não foram recolhidos pelas abelhas polinizadoras do fundo do centro do chão da vaginessência. Há uma fissura preta em que toda a malevolência dos descuidadosos sempre poderá repousar feito um colo pra se babar, veneno. Há um trato carinhoso eternamente pendente, uma resposta sem retorno próximo. E ainda que eu andasse pelo vale das sombras, não havia em mim condição de temeridade. É como se distribuísse em excesso as minhas potências que a mim nenhuma delas escolhera. Algumas coisas não se reavivam desde que fora atravessada pelo espectro das flores luz. Será que ainda há vida após a vida? Pois parecia tão verdade a forma como os batimentos engoliam a minha boca. Eu me senti um arquivo corrompido pela noite, cheio de aberturas, cheio de possibilidades, cheio de vazamentos, cheio de vontade de sexuar-me qualquer-maneira às duras penas queimadas. 

Eu vi deus e, ainda que eu andasse pelo vale das sombras, ele não me viu; há entre nós dois ambos uma lacuna que se descontinua. É tão somente essa a cesura. Entre as mascadas de chicle tudo será bom, nos limites da bonança. O sono se emurcha, suplantado por pequenas pelancas de dores de cabeça. Há uma desidratação irrecuperável. E ainda que eu ande pelo vale das sombras, me faltará água. Por vezes, se me come um desejoso impulso de bem, mas é tão pouco pouco, que o algodão doce se desfacela. O eco não volta, o eco não volta para dentro de mim. E quando volta, é mudo doído choroso de peito quebrado. Em torno da cabeça, o buraco cavado. Meus limites são multidões, são covas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-6999180663648584452?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/6999180663648584452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/ante-tanto-esperma-o-que-farei-carne.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6999180663648584452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6999180663648584452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/06/ante-tanto-esperma-o-que-farei-carne.html' title='Ante tanto esperma: o que farei, carne?'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-7723062982747771407</id><published>2010-04-19T18:34:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:50:32.590-07:00</updated><title type='text'>A história do fantasma fantasmagórico</title><content type='html'>Se eu fosse ontem, eu não me instauraria no lugar da possibilidade que se me perdeu enquanto os  olhos piscavam rápidos. Há um impreterível escape entre os dedos mais deformados da natureza das flores mais belas. Há um esvanecimento que se opera desde o nascimento de nossos corações firmes. Eu falo, pois, do instante dos aconselhamentos chatos de vida, do didatismo desgraçado de que se apropriam os tão fracassadamente propensos passados mudos desligados seus. 

Raras vezes, re-necessário a cena, o 'eu fui' não cometeria ordem qualquer de razão em desorgulho, não mataria e não enterraria os corpos em eminência severa de desvelamento. Mas em estratégia de compensação recalcada, se eu fosse ontem, eu não haveria de haver entendido, por exemplo, que o último ato de estupidez por mim cometido está se acontecendo agora e, que, perecível, logo se desmoronará em outros. Oportunidade de ressacas de vésperas não faltarão assim como alguns peitos são fartos são destrutivos e, mas, exageradamente infrutíferos. Se eu fosse ontem, eu pararia de respirar, mas eu não pularia para dentro do que se efervesce dentro de mim. 

Eu calcularia, pois o lugar das possibilidades é permissivo, é fantástico, é divertido; são pernas entretidas em pernas; é  pele. Mas depois que se entende, não haverá 'nada mais fantasmagórico, do que um fantasma'. Eu sou a pluma. Só haveremos de recair em pluma, e dançaremos, dançaremos direto na boca do gato mirabolante. Nosso fado próximo é a boca do gato mirabolante. Eu entendi. Se eu fosse ontem, eu não engoliria, eu me daria a segregação de não entender dessas coisas grandes e virulentas de que tanto falam as vozes de minha cabeça, ou as cabeças de minhas vozes. 'O lance de dados jamais abolirá o acaso': desculpem. Se eu fosse ontem, eu seria menos fatalidade de meus afetos. Eu não teria morrido de morte matada de afeto. E não pretensa amaria, e não pretensa cuidaria, e não pretensa me grudaria na fragilidade de outros corpos, eu não me pretenderia da miudeza do abandono. 

E tudo será feito um sonho pesadelo, um tipo de envenenamento no mais genuíno de sua significação. Se eu fosse ontem, eu não viveria hoje para estabelecer as minhas matrizes mais irreversivelmente consolidadas de comportamento. Nada teria sido uma espécie  de dádiva, o sangue jorrado estancado pela afinidade, pela substituição dos lugares comuns. Se eu fosse ontem, eu teria medo, eu não me arrancaria de minhas armas fracassadas. Eu entendi que eu nunca tive armas fortes para o suporte de tanta peleja travada. Se eu fosse ontem eu não pelejaria. Houve o tempo em que o coração explodiu feito em doença, resultou feito uma concha quente do sexo acolhedora de pulsações. Eu não seria deus, eu não seria implodida de relâmpagos. Se eu fosse ontem, eu sucumbiria vacilante, vexatória. Se eu fosse ontem, 'viver (seria) perigoso' demais e eu não me morreria até o esvaecimento pleno de minhas suficiências antigas. Eu entendi, e, pois, invadamo-nos de latrocínios, é a temporada das lamentações. Se eu fosse ontem, eu não seria ontem, eu não me emendaria jamais em minhas rudezas, uma vez que daqui já se nos desautorizamos desse encargo, não há mais encaixe. Eu não anteveria, eu não antevejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-7723062982747771407?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/7723062982747771407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/04/historia-do-fantasma-fantasmagorico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/7723062982747771407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/7723062982747771407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/04/historia-do-fantasma-fantasmagorico.html' title='A história do fantasma fantasmagórico'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-507952784268397172</id><published>2010-04-09T11:11:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:50:56.225-07:00</updated><title type='text'>O tratado universal das faíscas</title><content type='html'>No centro de suas pernas cruzadas muitas coisas começam enquanto outras terminam. Todo o nascimento é fedido. 'É pernóstico'. Há um inchaço que não se cessa. E amanhã isso será de uma vez por todas as vezes feito uma garganta enganchada dentro da garganta. Um sufoco que não se diz. A clarividência é repleta de sobreposições e de sincretismos. Um espinho de peixe profundamente mudo no meio de suas potências. Como nas asas de uma fumaça preta era preciso que se despelejasse de tão picuinhas preocupações. Diz a alma antiga dos pretensos entendidos. E convidado a praticar a partir da sistematização do conhecimento, escreveu uma carta um tanto pomposa, em que agradecia, falso, tamanha fineza de recordação, mas a recusa seguia com o argumento de ele pensar tratar-se de um tipo que se lhes inadequara a tarefa, uma vez que só lampejava. Fracassadamente só faíscas perdidas, escapadas à captura. E no momento se atinha à arrumação do que delas fazer, a que delas servir.  Um soco no peito caindo no fundo do poço. Não há em que se agarrar: há um rasgo no meio da pulsação mais intensa: é a vida. e, por ora, e a favor da vida; que seja, pois, ela vivida. Essa manifestação responde do lugar entre o suspiro e outro suspiro de um desesperante em desespero que, antes de passar, não passa nunca. 'Congresso internacional do hermetismo'. Será que há algo fora de algo? Isto é, será que, alcançando as mesmas resultantes torpes, há os mesmos métodos? 'Deixam assim o mundo tão estúpidos como se os encontram'. Não seria doador declarado de órgãos, porque não se perigava chegar aos infernos sem os olhos, os rins ou o coração, pelo menos em presença carnal e não em anima, como tinha por hábito antes da falência múltipla de sensações a que se submetera, mas isso daria uma outra história infeliz, por que bem poucos desordeiros se interessariam e muito provavelmente dela fariam mal uso torto. E tomando providência com relação ao que desejara antes sem precaução, segue-se no meio das cochas devastadoras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-507952784268397172?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/507952784268397172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/04/o-tratado-universal-das-faiscas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/507952784268397172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/507952784268397172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/04/o-tratado-universal-das-faiscas.html' title='O tratado universal das faíscas'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-6639062318605257</id><published>2010-02-05T08:07:00.000-08:00</published><updated>2010-06-18T13:52:10.787-07:00</updated><title type='text'>A morte dos gatos dançarinos</title><content type='html'>(Texto dedicado à Thiago,
de cuja existência necessitei, para que o texto existisse)

Vai alta a Lua no céu de primavera e eu te amo. Trata-se, pois, da história de objetos amantes vagantes que se propuseram um ao outro. Trata-se, pois, da concupiscência de duas carnes profundamente inscritas em lençóis de sagrados delírios e eu te amo. E eu te amaria para sempre em minha pessoalidade e de meus espontâneos desejos. 

Anteviam um no outro o lugar de seus mais comedidos carinhos. O encontro bastasse para que eles quase acreditassem em algo que de tão bom talvez não existisse e eu te amo. Mal saberiam que eram tão incomensuráveis exacerbações em seus falares e gestos que, o celebrariam, bastante as muriçocas. E eram olhos profundos comedores de tripas de excitação: amor em que não se cria. Deitarão no lugar mais importante do mundo; aconchegarão-se a partir de seu abraço e do lugar mais passional de coração latenteando. Ia subindo, subindo, de uma subida sem fim. Deus! Não os derrube desse pé de jabuticaba. Não os prive de seu momento de travessia. Não apague sua luz. Melindrosos catarros se converterão em folhas de ouro verdadeiro e eu te amo. 

Essa é a história de um corpo que prescinde de outro e que isso não se acabasse dele e que de seus afagos não se preocupasse em despistar com empenhos de fugas, os garanto: genuínos. De alfaces definhadas ao apetite voraz de carne e eu te amo. Há, ainda, quatro gatos escaldados dançando em seus estômagos, pouco a pouco eles escorregam, pouco a pouco eles desaprendem a dançar. Deus! Não os re-ensine a dançar dentro deles! E de impassíveis tempos de tormento em suas ausências; eles se permitiram encontrar. De baixo para cima e eu te amo impreterivelmente. Existe uma consolidação irrecuperável naquilo tudo: Carnalizara-se a sobre-divina paixão. Dá-me, amor, corrrência dessas sensações e eu te amo. Transformarão os pulmões tolos de fumaça em sangue afinado de emoção. É tempo de que se afanem terrivelmente e de que nunca mais os traga para de volta do antes deles. Seja repouso de meus desalentos, seja depósito de minhas empolgações. È ainda a história de quem fugia e caiu em benção de amor e eu te amo. 

Nisso, seus papeis rascunhados retomaram a condição de árvores flamejantes. Sei que os deuses perdoarão as manifestações de mais intensos suspiros entrecortados, pois eis a impressão do mais “autóctone” sensação no peito. Se sonho, acreditam sonho de mais vivida vida, se lhe não anestesia e eu te amo. 

Pois a epifania daquela história é o fato de ela confeccionar-se nos tremeliques da passagem e não na decadência de seus extremos. Na lucidez de sua incompletude e não na patologia de sua perfeição e eu te amo. Coração em polvorosa, paixão, pois enfim as agulhas foram retiradas do coração por cujas mãos de amado. Providenciara-se a dor ao contrário, sê forte, sê bom, sê necessário. E seja a hora e a vez da estrela de sua humanidade. É não mais do que a história da humanidade em carne. E como já pudesse morrer depois dessa batida de corações em harmonia: eu te amo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-6639062318605257?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/6639062318605257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/02/morte-dos-gatos-dancarinos-ou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6639062318605257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6639062318605257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/02/morte-dos-gatos-dancarinos-ou.html' title='A morte dos gatos dançarinos'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4585658414995533366</id><published>2010-02-05T08:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T08:06:44.107-08:00</updated><title type='text'>A Era de Aquário ou Da Importância de Sermos Abandonados</title><content type='html'>Trata-se essa da história de quando as formigas se adormeceram e todo o trabalho do universo caiu em desgraça de pendência. O abandono nada mais será do que o largar de mão do cuidado de nossos sentimentos e o dar de ombros ao empenho da alegria de nossos carnes. Todas as vezes que alguém se nos vai somos tão intrinsecamente objetos daquele engodo, e temos tão afincamente esmagados por entre os dedos os corações, que não nos aceitamos vítimas da irresponsabilidade do cativante. Não racionalizamos, somos desconstituídos de nossa humanidade em indeterminação de eras. A reminiscência em nossa lamúria não nos desvinculará tão pronto de matéria que fala diretamente do lugar da paixão. E para que nos lavemos do lixo em que cremos em convicção sermos, atravessaremos o universo das meditações mais impossíveis, das evasões mais agressivas ao corpo, e dos apelos por afetos mais melancólicos sobre que noticiaram para nós nos últimos tempos. Porque, sim, na condição de largados braços, haveremos de chorar todas as noites de mágoas rememoradas, cometendo íntimos pactos de silêncio e de dor eternos. 

Entretanto, chegará o tempo, (por isso pacientemo-nos até o lado de lá) que, quando distantes; colheremos nossas literaturas mais fantásticas e nossas melodias mais virtuosas, pois, o tempo da escuridão de nossas humanidades tão mal-tratadas, e tão postas à prova, se nos desencadeará uma espécie de revelação que virá dos céus para que possamos nos estancar de todo o sangramento. De nós será feito força em fraqueza, a partir da  profunda iluminação de nossas crenças esquecidas e genuínas. 
À tona nos perceberemos valorados novamente em nossa pequena ressuscitação. e tudo o que antes sucedera se converterá em micro-dimensão de suas máculas. Se nos será novamente concedido o direito de não havermos tipo culpa e de havermos acertado. E aprenderemos sua necessidade (da dor); seremos outro em mesmo corpo, morreremos vivos. Já que, à espera da felicidade, será  quanto antes saudável aceitarmos a tragédia, para que sejamos habituados a nos direcionar desde o parâmetro de imperfeição. Assim, avistaremos a bonança e não a perderemos de vista, pois ela significará tudo o que nunca tivemos, e não as esmagaremos entre os nossos dedos e não nos igualaremos ao tipo torpe de nossos malfeitores de outros tempos. A tomaremos com mimo como grande tesouro de nossos mais recentes alentos. 

Nesse dia, saberemos que todo o deleite se caracterizará pela contracorrência dos sonhos enganados. Depois disso, e só depois de nossos insignificativos derrames, o peso virará leveza e os amores se nos permitirão verdadeiramente serem amores. o sol voltará em brilho aos olhos. Encontraremos quando menos procurarmos. nossos rostos se mudarão em plena anunciação de gozo, não erraremos os mesmos erros. Nossas dedicatórias nominais antigas passarão à domínio público e, finalmente o autor não será personagem, pois, trata-se de uma história a todos pertencente, não nos mais terá uma relevância pessoal. 

Depois do abandono, a verdadeira raridade será desenterrada, e descobriremos que fomos nós, na verdade, quem expurgamos de nossas miudezas junto ao abandonante. Esse é o dia em que esse tipo de conhecimento se nos desvelará e nos será permitido dizermos não saber ao certo sobre certas conversas e o proclamarmos em comunidade, sem que a face de nosso ego se enrubesça pequeno, pois nossas individualidades estarão amparadas sem se cortar nas arestas profundas de outros leitos. Pois, a saber; amaremos. verdadeiramente amaremos, creio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4585658414995533366?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4585658414995533366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/02/era-de-aquario-ou-da-importancia-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4585658414995533366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4585658414995533366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2010/02/era-de-aquario-ou-da-importancia-de.html' title='A Era de Aquário ou Da Importância de Sermos Abandonados'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-2363431844941548593</id><published>2009-09-10T16:44:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:52:36.501-07:00</updated><title type='text'>O dilúvio de todos nós</title><content type='html'>À minha vida se escreve instigada por grande desgraça beirando à outra maior. E é na noite da chuva de Deus em que podemos sentir “a lâmina fria encostando-se ao coração quente”. Chuva é feito uma coisa quebrando de dentro da gente, um fenômeno de dentro do estômago comido. Há de desmoronar-se sobre nossos corpos, mas seremos nós os primeiros responsáveis a se atribuir as tragédias. É de dentro da gente. Deus! Sinto os pulsos vibrarem, temo que seja vida novamente a brotar. Saudemo-nos, pois estou de volta em grande estilo; &lt;em&gt;Schopenhauer &lt;/em&gt;ficou na porta de minhas relações, &lt;em&gt;Schopenhauer&lt;/em&gt; não serve. 

Houve um dilúvio, e dos olhos anestésicos partimos para os furiosos. Há épocas em que as decisões são um erro intempestivo até se converterem em assertiva irreversível. Não há mais jeito, simplesmente não fará mais sentido: a escolha de &lt;em&gt;Sartre&lt;/em&gt; já fora lançada, não seremos autorizados pela Filosofia a voltarmos no tempo. Será impossível, feito as hipóteses, feito as probabilidades; são o tipo de coisa que não existem até existirem. Aí, as agulhadas no coração serão cada pingo da chuva de dentro da gente. Em nosso dilúvio individual, Jesus se afogou, e eu sobrevivi em drasticidade. Esses escritos são ainda sobre o que verdadeiramente importa, sobre a que fim nos destinamos os medíocres. Em razão de uma incisiva não-resposta. 

Essa literatura é surgente daqueles dias em que se quer ir para um lugar bom que não existe, um lugar de fora da gente, queremos ir para um lugar em que nós não estejamos. Deus! Eu não fui capaz de me deixar ser amada e não há lugar para tanta agonia. Um ser humano que não fora amado. Um ser humano desumano na etimologia mais genuína da palavra. Não haverá perdão para quem se deixou manifestar seus piores posicionamentos. Seremos torturados por cada não-sentimento de nós arrancado. A chuva nos queimará e viveremos para sempre em nossos corpos, em nossos psicotrópicos, bipolaridades, psicodelias e toda ordem de síndrome noticiada. A enchente de dentro da gente.&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-2363431844941548593?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/2363431844941548593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/09/minha-vida-se-escreve-instigada-por.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/2363431844941548593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/2363431844941548593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/09/minha-vida-se-escreve-instigada-por.html' title='O dilúvio de todos nós'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4337923037537313025</id><published>2009-08-31T17:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:53:01.019-07:00</updated><title type='text'>A janela dos bipolares</title><content type='html'>O destino dos que existimos &lt;em&gt;(existirmos, a que será que se destina?),&lt;/em&gt; mais do que uma sintática polêmica, é minha literatura de meditação mais corrente. Perguntemo-nos, pois, a cada um de nós e a nós mesmos a que será que nos destinamos em nossa miudez. Até que uma rebelião de inutilidades pelas quais somos constantemente motivados comece a borbulhar e nosso coração morra em morte de pura consciência. Até que nos matemos em tanta realidade. Mas afinal, &lt;em&gt;Platão&lt;/em&gt; não quis ficar nas sombras da caverna, e nós, mais platônicos do que sabemos ser, quereremos? A que será que nos destinaremos?

Foi no &lt;em&gt;Baudelaire&lt;/em&gt; que ouvi em &lt;em&gt;Caminhante Noturno&lt;/em&gt;, dos &lt;em&gt;Mutantes&lt;/em&gt; que o evento e o sujeito discursivo consolidaram-se escritos ruivos, inquietantes. É como se houvesse uma conspiração de felinos em mim e eu necessitasse de expurgá-los, socializá-los. De dentro de mim, eles comem as cabeças uns dos outros: é o apocalipse, é o texto que nasce, é a meta. A que demônios cultuaremos legitimamente nossa pequenez? Para que estúpidos acontecimentos realizaremos rituais? Quem serão as pessoas de quem deveramos nos afastar? Pois elas tratarão, como que em tarefa santa, de abaixarem com drasticidade a nossa felicidade tão auto-sugestionável.

O que não saberemos pequenos da vida? Aliás, o que sei um pouco é que a &lt;em&gt;Schopenhauer&lt;/em&gt; só se seguem, quando estritamente solitários, ate um “não – outro”, pois inclusive “você não aqui” dói, uma ausência dói como se fosse uma presença. Como dói uma ausência, uma coisa que nem é, nem está, dói como se matasse. “Você não aqui” dilacera. Os afagos que não virão avassalam. São as relações em sua patética fervura. Dispensemo-nas com mesma fervura (ou não, provavelmente não).

Qual será o grau de nossas “desinteligências”, qual serão suas categorizações? Pra onde iremos todos com nossos insignificantes ares pitorescos. Seu grau reside na nossa irresistível humanidade de humanos e nessa ânsia em dedicarmo-nos extremadamente ao que(m) quer que seja, e ao olharmos para trás sem que haja nada ou ninguém que houvesse sido fruto direto de nossa devoção, morremos; indignados, surpresos, “desinteligentes”, inábeis. É o dia de minhas literaturas. O dia das literaturas mais humanas. É quando a morte se achega na beira da janela alta, mas feito um engasgo na garganta, o pulo fica no ar dos desencorajosos ou desencorajados. Poucos sabem, mas é nesse viés de minha recém descoberta bipolaridade que muitos se matam. Ao invés de pular, eu escrevo. Ao invés de morrer, eu morro também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4337923037537313025?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4337923037537313025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/janela-dos-bipolares.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4337923037537313025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4337923037537313025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/janela-dos-bipolares.html' title='A janela dos bipolares'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-265563795108552141</id><published>2009-08-22T15:08:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:53:26.185-07:00</updated><title type='text'>O latido</title><content type='html'>O coração batia. De quando em quando, eles achavam que isso alcançasse o tamanho do céu e que a qualquer instante ele pudesse parar de bater-se; afinal, que força seria suficiente para desmistificá-los? Eram, de todo, amor e contra tal não perdurariam interpelações das mais eloquentes. A verdade é que o amor surgira do mesmo lugar do canto da cigarra: não se sabe onde, nem como, nem por que e nem a quê, só se sabe se legítimo.

Houve um dia em que se propuseram a se apaixonar, ali, com seus olhos parados neles mesmos e com mãos que não conseguiam parar de se tocar; enfim, não houvera autoridade capaz de desatá-los. Ambos se amavam com a mesma cumplicidade de seus afagos e com o mesmo drama de uma fobia de que algo não se desse em todo o amor do mundo neles percebido.

Eles por eles mesmos já se bastavam. Começavam, e terminavam, e não se terminavam em braços, pernas, suspiros e amores. Protagonizavam tão impreteríveis laços que perigavam um passional grave lugar-comum para a história. A poesia, a verdadeira poesia, estava em seus peitos jamais saírem de seus abraços e de seus sentires jamais se desvincularem.

O contrato mais profundo fora selado. Havia segredos que só eles partilhavam, havia contextos só por eles vividos; ninguém mais no mundo todo e em todas as épocas o faria igual e com tanta eternidade já implicada. Aquilo tudo era caso de morte certa. Por ela, que não tocassem nele; por ele, que não tocassem nela. Por ela, que a matassem por ele, se necessário o fosse; por ele, que o matassem por ela, se necessário o fosse.

Estar ali era a decisão de se quererem indubitavelmente, era amor à margem do apesar dos pesares; mas o que iriam fazer deles? Umas vezes não sabiam onde pôr as mãos, certos da imensa capacidade de se magoarem e de aquilo não voltar a sua literariedade de amor. Os braços dados, de carnes jamais capazes de se soltarem, carregando a linha tênue de tudo por um triz, pois era extremo amor. Carnes que se descobriam mais dependentes e mais mordidas de ciúmes e mais corrompidas e mais parecidas com a outra carne.

Uma sensação balbuciantemente forte percorria seus corações desde a hora em que acordavam até irem se dormir. Era um desejo de estarem para sempre juntos naquele intervalo. Era cálido como as horas, depois do passar de uns relógios, eram cada vez mais incisivas, mais certeiras, mais amor. Não, não podiam se arrancar um do outro, feito parte de seu todo. Mais do que uma presença, eles assim assim seriam encerrados neles mesmos e passariam a se  integrarem em suas feições até que a morte chegasse, até que a morte os desvinculassem. E mesmo que não estivessem mais juntos, não se passaria um dia em que lá não estivessem; dentro deles, eles. 

Relatara-se então, a cura para os eternos desalentos: era amor e disso não se desprenderiam tão debilmente e com tão poucos argumentos. Eles se precisavam tamanhamente e aquilo lhes queimava, mas era tudo. A tal ponto de, às vezes, se descobrirem eles sendo outros, outras soluções; para que tudo fosse um pouco menos abalável, um pouco menos vulnerável, um pouco menos tão difícil;  mas se isso acontecesse, não, eles não seriam mais eles, eles não se completariam, eles se perderiam de um ao outro até se perderem deles mesmos. 

Sua união era o trabalho mais bem-feito de Deus em suas vidas, se se deixassem, aquilo seria o fim da história. Seriam dois corpos andando com toda a tristeza do mundo junta, os corações mais doídos sobre os quais já se noticiaram. Por que não se pensa em outros se não eles. Não, o coração não bateria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-265563795108552141?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/265563795108552141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/o-latido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/265563795108552141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/265563795108552141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/o-latido.html' title='O latido'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-5831754946979603276</id><published>2009-08-22T15:06:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T11:31:30.243-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-5831754946979603276?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/5831754946979603276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/aos-letrados-e-letradas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/5831754946979603276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/5831754946979603276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/aos-letrados-e-letradas.html' title=''/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-6967258618165212948</id><published>2009-08-22T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:53:57.034-07:00</updated><title type='text'>Do amante ao amado, o amor</title><content type='html'>No tempo em que eu amava, o meu espírito era alimentado por uma forte convicção de &lt;em&gt;humanidade&lt;/em&gt;, permitia-me, pois, a genuinidade das fraquezas humanas e suas vicissitudes. Trata-se, pois, não de vincular-me ao objeto de minha posse e de meus cuidados, mas de amar o veículo pelo qual me permito possuí-lo ou tencioná-lo: o amor. Eu amo o amor e todos os seus processos de passionalidade. Depois de tudo o que há depois disso, eu murcho constantemente feito uma pele de velho. 
     
Antigamente, quando ainda havia uma névoa de sentimento em mim, e que se desintegrara tão descontroladamente ao meu controle, meti-me a dissertar sobre aquilo a que chamei instância amorosa por mim observada em duas literaturas de autorias queridas: Clarice (a Lispector) e Marina (a Colasanti), nos seus contos &lt;em&gt;A&lt;/em&gt;mor e &lt;em&gt;Na funda escuridão.&lt;/em&gt; Tarefa de inspiração também clariciana, quando, de vida amorosa e familiar desnorteada, escreve os contos de &lt;em&gt;Laços de Família&lt;/em&gt;. E eu, do lado de cá das mediocridades literárias escrevo de amor e sob a formação discursiva de uma comprometedora primeira pessoa do singular da língua portuguesa, ora, convenhamos que toda despersonalização haverá de ter limites. E nesses meus tempos de tragédia profunda, o fiz sem nenhuma propriedade de amante. 
      
A lembrança mais imediata de minhas inspirações primeiras para esse trabalho reside nos recorrentes contatos de minha leitura com os escritos de &lt;em&gt;Padre Antonio Vieira&lt;/em&gt;. No decorrer de minha vida, os seus &lt;em&gt;Sermões&lt;/em&gt; me foram disponibilizados, da mesma maneira que pude depreendê-los sob o olhar de diferentes maturidades, na medida em que o tempo impreterivelmente passava. Fato é que, especialmente o &lt;em&gt;Sermão do Mandato &lt;/em&gt;corrobora com as minhas meditações, no sentido de haver sido a primeira literatura a me convencer na magnitude do amor de Jesus Cristo, justamente por eu me achar em um lugar de extrema incompreensão e de incapaz desprendimento no que concerne ao amor. A sapiência de Jesus irá contracorrente à ignorância dos homens, à minha ignorância. 
  
&lt;em&gt;Padre Vieira &lt;/em&gt;elenca alguns componentes indispensáveis para a plenitude das relações entre as pessoas e sobre os quais devemos recair um conhecimento perfeito: quem ama; a si mesmo, a quem se ama, o amor e o fim daquele que ama. Jesus o fez e nenhum de nós o faria, daí a nossa pequenez em não sermos o filho de Deus. O &lt;em&gt;Sermão do Mandato&lt;/em&gt; está para a minha vida, tal como o &lt;em&gt;Mito da Caverna &lt;/em&gt;está para &lt;em&gt;Platão&lt;/em&gt;; atuou como se a mim fosse desvelada uma resposta para uma pergunta que já se consagrava engessada: Jesus amou e pronto. É nesse momento que as relações entre sofrimento e conhecimento apresentam-se mais sensíveis, mais árduas, quanto mais se sabe mais se sofre, pois, me encontrei incapaz de amar ou  incapaz de acreditar que alguém o possa em sua totalidade. Dessa maneira, creio que nos é possível, a nós que não Jesus Cristo, amarmos perfeitos em alguns aspectos, não em todos, amarmos em todos os aspectos, mas imperfeitos: um amor que se desdobra em múltiplos amores, categorizam-se e não são mais amores.

Na oportunidade de escrever sobre o amor nos contos, a instância amorosa é um bocado de instâncias. É tudo aquilo que permeia a travessia que vai desde o objeto amante ao objeto de sua posse, incluindo ambos e tudo o que os caracteriza. Assim, cada amor haverá de ser unificado como o tempo que não volta, será inquestionável em sua diferença, será inexplicável e de futuro duvidoso, será legítimo em suas limitações e será um amor fragmentado do amor de Cristo. A nós não bastará amar e pronto, já que irremediavelmente dotados daquilo que inicialmente chamei de &lt;em&gt;humanidade&lt;/em&gt;, falharemos em nossa incompletude e mataremos Cristo por todos os dias de nossa vida e mais uma vez, quando deturpamos o amor que Ele veio nos ensinar: eis a crucificação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-6967258618165212948?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/6967258618165212948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/do-amante-ao-amado-o-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6967258618165212948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/6967258618165212948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/do-amante-ao-amado-o-amor.html' title='Do amante ao amado, o amor'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-3073914424264179518</id><published>2009-08-22T13:39:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:54:40.420-07:00</updated><title type='text'>O rato que rói: a função da literatura</title><content type='html'>Fruto de insônia; as literaturas mais fervorosas. Os amigos mais profundos, eu não os escolhi, eles surgiram. As paixões mais pulsantes, eu não as procurei. Pensemos em uma espécie de rato comendo o coração da literatura. É como se o roído ecoasse no ofício do escritor e ele se pusesse a trabalhar. Literatura é lapidação mais sensibilidade, ou sensibilidade mais lapidação. Aquilo a que &lt;em&gt;Octavio Paz&lt;/em&gt; atribui à poesia, a &lt;em&gt;consagração do instante&lt;/em&gt; é exatamente a sua razão de ser. Os signos rumo à &lt;em&gt;significação &lt;/em&gt;são uma instância mínima de socialização do universo paralelo que se ficcionaliza e se permite em literatura. As letras sempre configurarão um traço de ruptura, uma travessia do antes ao depois, do &lt;em&gt;evento &lt;/em&gt;à formação do &lt;em&gt;sujeito&lt;/em&gt;. Nada de “desimportante” se permitirá nesse rato que rói; o rato só roerá coisas sublimes. A literatura faz acontecer outro plano de acontecimentos o qual desconhecemos ou legitimamos. Trata-se de expressão, e não de representação.
    
Sob vários nomes e nos quais confio copiosamente, a lida com a literariedade própria a certas escritas, manifestam-se os processos de sua ascensão, para mim, essas crenças funcionam como se jamais houvessem de ser abaladas ou suplantadas por outras verdades, embora aceite que por outras sejam futuramente acrescidas; a &lt;em&gt;possibilidade&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Kierkegaard&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;escolha&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Sartre&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;evento&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Badiou,&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;significação&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Peirce&lt;/em&gt;; enfim, o poder de atravessar um acontecimento a outro, de modo que o outro se permita a investidura de profunda impreteribilidade de existência. Assim, toda a criação verdadeiramente literária atuará como divisão de águas.
    
A Literatura é um instrumento através do qual nos oportunizamos a contracorrência ao pragmatismo de nossas relações atuais, &lt;em&gt;se não se escreve, se morre&lt;/em&gt;, é o que diz &lt;em&gt;Clarice&lt;/em&gt; em uma de suas entrevistas que, por vezes circula na TV Cultura. Deve de haver morrido e por nós ainda estar caminhando muitos espíritos vazios e pragmáticos.
    
As histórias acontecem, as histórias nunca pararam de acontecer, pois existem (resistem) dentro da historicidade em que existem todas as coisas; a “labuta” com as palavras, as captam: eis a consagração que outrora mencionei. Literatura subverte o sujeito de seu senso comum e pragmático, a escrita é um transporte de meu corpo a um corpo outro. É como se em uma despedida, eu dissesse ter guardado o meu amor para alguém, e para que daqui a pouco eu pudesse amar essa pessoa; essa instância é a literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-3073914424264179518?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/3073914424264179518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/o-rato-que-roi-funcao-da-literatura.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3073914424264179518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/3073914424264179518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/o-rato-que-roi-funcao-da-literatura.html' title='O rato que rói: a função da literatura'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8984326344340377217.post-4631216878383553257</id><published>2009-08-15T07:50:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T13:55:17.649-07:00</updated><title type='text'>E no princípio, Deus fez a sinestesia</title><content type='html'>Uma galinha periclitante e quente de silêncio amarelo e áspero. Ao que os &lt;em&gt;simbolistas&lt;/em&gt; empenharam movimentos sinestésicos, me permito dissertar, pois penso que àquelas relações tão previamente estabelecidas entre as sensações e entre elas mesmas aproximam-se com drasticidade do que se canta em nossos peitos. Mais temerário do que não sentir, é sê-lo na sua mais profunda efervescência, feito um comprimido ácido em copo de água. A meditação reside no fato de eu ter me descoberto, nesses últimos tempos, dolorosamente, e nulo, anestésica. E definhados os corpos e as cores; cá estou de alma rasa, como quem passeia (e se contenta) pela (e com) a superfície morna de todas as coisas. 

Há de ser grande para a sinestesia, há de ser forte. A propriedade do não-sentimento é, antes de tudo, triste; é feito um regime massacrante e podre em que a comida não tem jeito de comida. Deus, o que será da literatura em minhas mãos dormentes. Sou do tempo no qual a água era gostosa porque não tinha de fato gosto, hoje há um gosto de boca morta vomitante ou de algo que ainda não identifico, qualquer coisa, que não água: sou eu e minha casa de paredes sem reboque. Acredito que se alguém gozasse dentro de mim agora, eu não sentiria, feito um beijo dado por alguém que não subjugaria a vida em prol da minha. 

O que faço de minha carne sem graça que ignora as sensações mais ilícitas... A vida passa e se alicerçam os frívolos e os frígidos, esse é o mundo que se instaura dentro de mim e com o qual corroboro montagem. Olhos que não acrescentam, olhos nos quais não são acrescidos. Não cativo: formigante. Eu como se eu não quisesse a responsabilidade do &lt;em&gt;Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;. Ás vezes eu me debruço e olho lá pra baixo, pleiteando um dia certo pulo, mas não há suficiente impulso, tampouco laços que tenham sido por mim criados a ponto de serem importantes, influenciáveis e cambiáveis em motivações. A covardia da anestesia se fundamenta em não fitar com demora algo, para que se converta em especial e reação automática de excitação em minha pele. Essa é a maior das decadências, mas eu não a sinto. 

Mas sejamos meta-literários: o que será da literatura com gente feito eu ... A literatura dos corações suspensos. Uma tessitura parecida a que vende sua alma ao diabo e por isso a perde, a “des-sente”. É como se a minha televisão saísse do ar e não mais voltasse e de vez em quando a literatura pudesse sentir muito de relance um gosto raro de um bolo antigo em sua garganta, mas de pronto passasse e desse lugar ao largo passo de sabor de boca seca e apenas despertada, sem gosto mesmo. Reminiscências. É como se eu flertasse sem malícia com meus textos, com meus homens. Sem a passionalidade típica de quem sente excessivamente todas as coisas, &lt;em&gt;Clarice&lt;/em&gt; jamais teria inspiração para dizê-lo e a &lt;em&gt;lâmina fria encostando-se ao coração quente&lt;/em&gt; não poderia ser experimentada por nós em &lt;em&gt;Perto do Coração Selvagem &lt;/em&gt;e nem perto desse meu escrito.

Recomendo-lhes caros, pois, antes de tudo: que não misture sorvete com cerveja e depois que sinta a maravilhosa vibração de simplesmente sentir e que não faça parte da produção estéril de qualquer matéria. Envolvam-se orgasticamente e com tamanha emocionalidade de modo a morrer por suas causas, que as comam e as arrotem. A literatura só virá a tocar, se tocante. Como em &lt;em&gt;Brás Cubas&lt;/em&gt;, há uma lacuna em mim e isso é tudo e isso não se deseja ao próximo, não se recomenda um vazio que enche e que empalidece, um vazio que mata e que empobrece o espírito. Se a poesia transcende, esse estômago sôfrego que em mim trago, des-transcende. Um vazio sobre o qual escrevo, mas não me satisfaz, pois assim como um livro só existe se lido, uma literatura só existe, se sentida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8984326344340377217-4631216878383553257?l=flafigueiredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/feeds/4631216878383553257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/e-no-principio-deus-fez-sinestesia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4631216878383553257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8984326344340377217/posts/default/4631216878383553257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flafigueiredo.blogspot.com/2009/08/e-no-principio-deus-fez-sinestesia.html' title='E no princípio, Deus fez a sinestesia'/><author><name>Flávia Figueirêdo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06635212924933201914</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-7xQ_NnPBSq4/Tlwj3zLfmSI/AAAAAAAAAFE/AMxrKyk1wcY/s220/Z9odcbh.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
